1. @luciananepomuceno, o que só você viu? Sei lá, tô perdidaça
No futebol, de vez em quando, se fala: Fulano tá fora de ritmo. Tá sem ritmo de jogo. Como Neymar, que veio de cirurgia ou Renato Augusto que entrou no último jogo. Alguém pode pensar (eu já...

    @luciananepomuceno, o que só você viu? Sei lá, tô perdidaça

    No futebol, de vez em quando, se fala: Fulano tá fora de ritmo. Tá sem ritmo de jogo. Como Neymar, que veio de cirurgia ou Renato Augusto que entrou no último jogo. Alguém pode pensar (eu já pensei, por um tempo): se a pessoa tiver recuperado o preparo físico, qual o problema, ela por acaso desaprendeu a jogar? Se há tempos eu não tivesse superado essa ingenuidade, teria superado hoje. Eu tava aqui, no clima, todo dia escrevendo dois ou três textos pro Drops, em tempo real, mal terminava o jogo e voilá, eu tava aloka da digitação.

    Aí não mandei o texto depois do jogo das 15hs, deixei pra juntar com o primeiro jogo do dia seguinte, mas precisei trabalhar de manhã, não vi a partida nem o começo do jogo da França, cheguei meio gripadaça e pronto, sei lá quantos eu não fiz, sei lá onde estão minhas anotações… estou completamente sem ritmo de jogo.

    Porém chego aqui usando uma expressão que nem todo mundo tem idade pra entender: não pretendo deixar a peteca cair. Vou então tentar reordenar meus fragmentos de memória. De trás pra frente: Croácia colocou Argentina nas cordas. Três gols, todos no segundo tempo, um gol bonito na falha do goleiro, um gol de craque e um gol daqueles que tira o chão do time adversário, humilha, coloca um travo ruim na boca. Argentina não está fora da Copa, claro que não (entrando no modo Galvão Bueno de contas precipitadas): Islândia pode não ganhar da Nigéria e perder da Croácia, Argentina pode dar a volta por cima e golear a Nigéria, daí os argentinos podem cair matando nos jogos eliminatórios, Messi pode fazer um ou dois milagres. Tudo isso pode acontecer, mas o time tem que ser e agir de forma muito diferente do que tem sido e agido nesses dois primeiros jogos. Uma defesa instável, um meio de campo cambaleante, um Messi que recebe poucas bolas, um técnico que se esmera em fazer as mais estranhas e injustificáveis escolhas. Mas eu tô falando da Argentina e podia estar louvando o Modric, o 10 da Croácia. O golaço que ele fez: que delícia ver o movimento de corpo, o levantar da cabeça, a escolha pela melhor jogada, a precisão e força do chute, daqueles que dá gosto rever.

    E não é só a Argentina que vai mal na América do Sul. No jogo imediatamente anterior o Peru foi eliminado da Copa após perder para a Inglaterra. O time inglês, outra vez, mostrou que tem grandes jogadores, mas ainda não se decidiu a jogar bem, como equipe. Conhecendo a tradição inglesa talvez não cheguem a fazê-lo, em toda a competição. Mas seguem vencendo, o que é bem mais do que se pode dizer dos demais favoritos tradicionais (tem a Bélgica entre os favoritos não usuais que não só ganhou como jogou muito bem sua primeira partida). Os peruanos se entregaram bastante, fizeram duas partidas muito disputadas, permitiram muitas piadas de 5ª série (o que é maravilhoso), criaram situações, mas não souberam finalizar e as duas derrotas os tiraram da Copa. Fora da competição, mas de forma digna, respeitados pelos torcedores que valorizaram o empenho.

    Por fim, pra colocar em dia os vistos, Espanha e Irã. Eu costumo gostar de time que joga alegre, aberto, aventureiro e atrás de gol. Mas, né. Tem uma outra beleza que é a disciplina tática, o reconhecimento das limitações, a determinação de uma retranca elegante, compacta, ensaiada. É um outro tipo de balé. E o Irã conseguiu dança-lo magnificamente. Não foi fácil pra Espanha, ganhou com um golzinho mixuruca, de joelho, mas ganhou. Agora Espanha e Portugal tem 4 pontos, mas a Espanha pega o eliminado Marrocos e Portugal vai ter que lidar com esta carne de pescoço que é o Irã, bem treinado, valente e com chance de se classificar.

    Agora é ir pra cima da Costa Rica. Mesmo com gente machucada, escalação errada, convocação troncha, é a hora de saber se seremos grandes ou se estamos destinados a um desempenho pífio. Não há desonra em não trazer o caneco (só uma seleção vence, gente) mas, pelo menos pra mim, importa demais o como se ganha ou se perde. Não tenho orgulho ou alegria ao pensar na vitória de 94 ou da derrota de 90, foram dois desempenhos fuens, pra mim. Mas me enche de prazer lembrar da vitória de 2002 e das derrotas de 86 e 98 (também sinto uma emoção especial por 82, mas é diferente, mais sensação e encantamento que memória do futebol em si). Vamos ver se voltamos ao pique normal, a canarinho e eu.

    Luciana Nepomuceno,

    escrete PISTOLA Drops

    #dropsnacopa

    #dropsdafal

    Publicado em 23 de Junho de 2018 em #dropsdafal #dropsnacopa (1 nota)
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    1. dropsfal postou isso
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